O crescimento da economia moçambicana em 7 por cento no ano corrente
previstos pelo Governo caiu por terra. Neste ano, de acordo com a ECONOMIST
INTELLIGENCE UNIT a nossa economia poderá crescer apenas 4,8 por cento,
o mais baixo crescimento dos últimos 15 anos.
A mesma fonte argumenta que a taxa de crescimento da economia
moçambicana está a baixar desde o ano passado e garante que esta tendência irá
manter-se ao longo dos próximos anos, sobretudo devido a problemas no sector da
agricultura.
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É certo
de que os recursos minerais recém-descobertos vão desempenhar um papel
importantíssimo para o crescimento da nossa economia. Mas é preciso
acautelarmos as paixões para não nos cegarmos e deixarmos para o segundo plano
outros sectores importantes. Pelo menos, neste momento em que moçambique só
poderá exportar, por exemplo, o gás natural a partir de 2021 convém não relegar
ao esquecimento a agricultura, sector em que maior parte dos moçambicanos
(cerca de 68%) trabalha.
Sabemos
que os trabalhadores deste sector é que inegavelmente podem garantir a
segurança alimentar e o aumento da exportação e a sua consequente redução das
importações. Mas estes continuam a ser os que auferem os piores ordenados no
nosso país e, de forma recorrente, recebem os menores “aumentos”. No ano
passado tiveram um “aumento” de 5,74% e este ano só terão 3,61%.
Se o país quiser crescer economicamente e garantir bem-estar para todos
os moçambicanos deve investir na agricultura, porque esta tem o potencial para
impulsionar o desenvolvimento de outros sectores. Até porque, a economista
Luísa Diogo diz que investir na agricultura significa desenvolver melhores
sistemas de água, da rede de estradas, de comunicações, educação, saúde e das
próprias políticas agrárias que lhe são aplicadas.
É possível que moçambique seja um actor importante no sector agrário
local, regional e internacional. É possível não depender dos outros para termos
tomate, cebola, mandioca, etc. É possível garantirmos a segurança alimentar
para os nossos irmãos. É possível exportarmos mais e importarmos menos. Sou
optimista, mas é preciso haver do vosso lado um compromisso sério e sair desta
zona de conforto que nos afunda cada vez mais.
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